Vertiginosas escrituras #21
- Edi Pereira

- 8 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2021

Fonte: autoral
Esperam tanto. Eu espero. Ser a melhor filha, a melhor irmã, a melhor amiga, a melhor companheira. Espero ser a professora-formadora-acadêmica-artista mais incrível. E falho miseravelmente (quase) todos os dias. Quase? Não sei. Aliás, não sei muito sobre várias coisas. Nada de tantas outras. No entanto, sinto. Sinto o peso do mundo e choro com as notícias, os números, a triste constatação de uma humanidade puída ainda que nem sempre eu saiba ser nobre. Em alguns dias quero só me colocar no colo e me ninar feito criança que chora. Assim, bem egoísticamente. Quero sim que respeitem as minhas feridas, apesar de serem infinitamente menores que as de tantas outras. Recentemente parei de aceitar o que não me pertence: responsabilidades, culpas, migalhas... Sim, faz pouco tempo, mas decidi. Parar é uma coisa que nem sempre dá, mas quando encontramos a brecha, podemos decidir! A raíz do cabelo está por fazer, há fios fora da linha da sobrancelha. Celulite, estrias, linhas de expressão... Um corpo em marcas de uma vida que corre, luta, cansa e se regozija às vezes. Não me privo do chocolate, mesmo ficando obcecada pelos dígitos da balança. Há louça na pia, projetos na gaveta, textos não publicados nas notas do celular. Tem dia que sobra paixão. Noutro, falta coragem. E assim, vou seguindo os dias de uma vida real, de desejos tantos e fraquezas incontáveis. Das esperas que a sociedade nos impõe - essas muitas que menciono e outras infinitas - busco incessantemente fugir apesar de nem sempre ser possível. Tento seriamente ser contente e consciente, mas é certo que hora ou outra sou engolida pelo mar de subjugações que o mundo deposita sobre nós, mulheres. Mas é isso! Sou a mulher que consigo ser. Não sei como serei amanhã, nem lembro bem como fui ontem. Longe da imagem esmagadoramente perfeita e instagramizada dos tempos que seguem. Tentando - assim, gerundicamente - resistir e não desumanizar.
08 de março de 2021




Comentários