Vertiginosa escritura #23
- Edi Pereira

- 5 de mai. de 2021
- 1 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2021

Fonte: autoral
Quando menina, gastava horas a fio deitada no quintal a observar as formas que as nuvens assumiam. Quais histórias elas contavam? Quem mais as via a vaguear pelo céu azul a anunciar chuviscos de fim de tarde? O reparo era sempre inaugural. Da mesma natureza do voo dos pássaros que vez ou outra pousavam no varal a me fazer companhia. Aliás, gostava de elaborar dicionários de seus gorjeios. Imaginar enredos para suas conversas. Não raro, inventava significados. Uma etimologia própria.
As palavras - as minhas, as suas, as dos seres que habitavam meu quintal - sempre me pareceram transpirar silêncios. Ou respirar por eles, assim como fôlegos ritmados, necessários, vitais. Não sei bem. É certo que pelas vielas que minha memória alcança, sempre cultivei um gosto pronunciado pela palavra. Uma fascinação irremediável pelas imagens. Um tremor imanente pela variedade das - tantas, plurais, únicas - vidas! Essas vidas que me aprisionaram (e aprisionam) por suas histórias. Que me libertaram (e libertam) por seus olhares. Que fazem incansavelmente verter o meu.
Ainda que a menina esteja crescida, as histórias dessas tantas vidas contadas, vistas, sentidas, silenciadas inundam, transbordam, preenchem os vãos dessa pequena existência de emoção!
03 de Maio de 2021




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