Vertiginosas escrituras #22
- Edi Pereira

- 5 de mai. de 2021
- 1 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2021

Fonte: autoral
Colecionar histórias, encontros, sabores, gestos, olhares. Colecionar afetos. A liturgia nunca é a mesma e também por isso a ritualística ganha contornos, nuances, memórias e intensidades sempre outras.
Nos tempos que seguem, o acontecimento é intimista. Na mesa, os lugares já conhecidos daqueles que transitam pelo mundo na nossa companhia.
Fazer (parte da) história pode ser bem incrível em alguns livros, nas narrativas dos vencedores e - há quem diga - de uma importância incalculável, mas na carne crua da realidade, dói pra caramba! Sobre-viver a esse sentir estrangeiro não é tarefa fácil! Vez ou outra o cansaço acena. A atonia faz visita inesperada. Não é raro encontrar a tristeza instalada como hóspede num dos cômodos da casa. Nessa coreografia doida e doída do mundo pandêmico, a tentativa constante é de aprender a respirar. Longe da lógica autoflagelativa desse positivismo tóxico que a gente vê por aí, a busca é por compreender os processos, respeitar os limites, chorar quando sentimos o peito apertar e ritualizar tudo o que nos faz bem! O verbo está sempre no infinitivo. A gente conjuga da maneira que quiser. Do jeito que conseguir.
Não é milagre! Tem dia que nada nos salva de nós mesmos nesse negócio difícil que é a vida. Mas em outros - muitos deles - dá pra sentir o coração quentinho (e nem é por causa do vinho... rs). Dá pra ler em prosa e verso, a teimosia da esperança que nos faz continuar.
02 de Maio de 2021




Comentários