Rasuras grafadas #1
- Edi Pereira

- 14 de mai. de 2020
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de mai. de 2020

Fonte: autoral
Cena I: Cheganças, alteridades e acolhidas.
Ele chega.
Enxerga a calçada, o alambrado, a folhagem que cisma em escalar os vãos na rachadura da parede. No alto, uma flor laranja que nasceu solitária, – deve ter gosto de mel, pensa – e sua visão é interrompida pelo esbarro de outro – um menino atrasado – que corre para não perder a hora. Esses meninos têm pressa! Ele percebe que também precisa ter pressa.
Há um rosto carrancudo no portão que não gosta de atrasos. Suspira, segura firme na alça da mochila pesada e gasta talvez pelo descuido – como diz a mãe – e segue firme, de cabeça baixa e com passos estreitos e rápidos.
Ele chega! Está dentro. Respira fundo e relaxa os ombros. Ainda não houve sequer uma palavra dita, só se ouve ruídos, muitos ruídos, ruídos desgastantes e brutais – me lembra as freadas de um carro que, em alta velocidade, bateu em outro na rua de casa – um barulho avassalador. De repente, um aceno – o professor os chama – e ouve-se um ruído mais tímido, sussurrado, parece coisa proibida!
10 de Dezembro de 2015



Será que eu já ouvi este menino?? 😃 amei a foto!! 😍