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Rasuras grafadas #3

  • Foto do escritor: Edi Pereira
    Edi Pereira
  • 14 de jun. de 2020
  • 1 min de leitura

Fonte: autoral


Cena III: Esperas, tempos e porquês.


A sirene toca – sim, porque os sinos não existem mais – e ele é arrebatado pelo susto de não ter terminado os exercícios. Há uma intensa movimentação dos outros – porque os meninos têm pressa – e sobressaem os ruídos das cadeiras arrastadas com o peso dos corpos, que afobados, buscam tão somente a imagem da porta. Ele negocia com o professor a entrega dos exercícios e se levanta. Ao sair, vê o professor se aproximar do garoto estremecido e é empurrado para fora. Ele não vê mais nada. Só espera que amanhã tenha mais tempo.

Enquanto isso, o professor se questiona: “Por que o garoto não aprende Matemática?”. Reexplica a lição. Confere instruções e corre para que dê tempo de chegar à outra escola para explicar a outros alunos as lições de Matemática. O dia termina. O professor vai para o seu merecido descanso, mas ainda reflete sobre o garoto estremecido. Precisa ser mais eficiente – pensa. “Amanhã vai ser outro dia”, diz a canção. O professor planeja tudo diferente. Ensaia a explicação e dorme com a sensação de dever cumprido. O dia foi comprido. Hoje é sempre o dia derradeiro para o amanhã que se espera com tanto desejo. Amanhã é uma palavrinha que carrega certa esperança. O professor espera pelo amanhã e pelos alunos de amanhã para que o dever seja, uma vez mais, cumprido. Mas, e o devir?


10 de Dezembro de 2015

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