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Rasuras grafadas #2

  • Foto do escritor: Edi Pereira
    Edi Pereira
  • 7 de jun. de 2020
  • 1 min de leitura

Fonte: autoral


Cena II: Geografias, histórias e estrangeiridades.


Na sala de carteiras azuis enfileiradas, surradas e escritas, ele adentra junto aos outros – tantos outros – se senta e, como nos demais dias comuns, abre sua gasta mochila, retira sua caneta e seu caderno para, enfim, estar dentro. Dentro da escola, dentro da sala, dentro da turma, do esperado para a sua idade, para a sua série. Ele quer estar dentro, mas não sabe muito bem dentro do quê, dentro de onde. Segue o fluxo. Estar dentro importa muito. Fecha os olhos, respira profundamente e começa a anotar a aula que já começou. Há muito a ser anotado! Entenderam? – pergunta o professor. Vê-se um gesto positivo geral. Ele chega lá, afinal, está dentro. Dentro dele mesmo. Logo um novo comando: “Façam os exercícios!” Olhando mais adiante, ele percebe que o garoto, amigo de bola, estremece em sua cadeira. A caneta escorrega de sua mão e ao cair no chão, outros também o notam – o professor o nota – e o garoto desvia o olhar, recolhe a caneta e começa a bater sua ponta incessantemente na carteira. Mais um ruído. Não que seja um grande ruído, mas ele não consegue escutar mais nada além do ruído. O garoto tem dificuldade em Matemática, disseram outrora. Mas ali dentro, todos precisam aprender. Ele olha penalizado para o garoto estremecido, gostaria de ajudá-lo, mas o tempo é escasso. Alguns já entregaram os exercícios ao professor. Ele ainda nem começara.


10 de Dezembro de 2015

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