Quarentena crônica #10
- Edi Pereira

- 25 de jul. de 2020
- 1 min de leitura

Fonte: autoral
No limiar da causalidade do risco, rapsódias em episódios de uma vida incólume. Cenas miscigenadas em rostos, risos e rastros de rituais abandonados. Retalhos nostálgicos de celebrações coibidas. Restos decompostos de uma habitualidade falseada. Vírus suspenso no ar, ritos suspensos no tempo. Aniversários cancelados. Casamentos adiados. Exéquias abolidas. Anfitriões? Interrompidos. Imagens deterioradas de corpos em cinesias. Estrita a invisíveis muros erguidos, a alegria é vigiada. A tristeza, proibida. Controle panóptico. Paralisia. Acordes acordam em modos de espera. Em caminhos-destinos: balões e buzinas. Na redoma de lata e vidro, pseudo-segurança. Entre para-brisas, unidades mínimas de afetos. A reinvenção da presença. O tempo pareado às marchas avisa que a rua se estreita a cada metro. Medidas em frestas de encontros. Na travessia das contrariedades (ex)postas, sofrimentos tórridos, reprimidos, indefinidos. Pelos cartazes sem timbres, palavras escritas. Prólogos ou Epílogos. Monólogos, talvez. A inquietude de todos e cada um em um uníssono mudo. Mudo. E tudo continua igual.
20 de Julho de 2020




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