Quarentena crônica #15
- Edi Pereira

- 8 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de jun. de 2021

Fonte: autoral
Do cesto da gávea, insígnias. Pupilas expandidas prescrutam o horizonte em busca de sinais de terra firme. Língua singular. Histórias plurais. Isolamentos, distanciamentos, alheamentos, lamentos. Lexo de vicissitudes. Tudo é perigo! Uma gramática pandêmica: miríade de sentidos. Infâncias perenes em proas de um recomeço incerto. Protocolos, símbolos, cálculos. Metros quadrados. Triângulos contingentes. Ignávias em círculos. Geometria de um tempo. Tudo é perigo! No âmago da pulsação urgente dos rastros crianceiros, garatujas escondidas. Passos silenciados. Vastidão de territórios de significados. Retorno às aulas: imprevisibilidade. Lonjuras, loucuras. Fissuras de um sentir. Geografias em contágio. Tudo é perigo! No alto, fresta azul de um céu inteiro em nuvens densas. Seus desenhos, adivinhados em memória. No parque, balanços aquecidos em sol a pino. Nove, dez, onze meses numa gestação esgarçada, puída. Nascimentos às cegas. Perdas tidas, sentidas, temidas. Na mímesis do sinal, o aviso: não avance, é vermelha a fase. Ausência de leitos, vozes silentes, números, números, números. Em tempo, habitações por errâncias, traquinagens, abandonos reiterantes, utensílios em brincadeiras pueris. Objetos dados à imaginação. Carvão em papel pardo. Circunstâncias insalubres. Barco à deriva. No mais, celas em telas. Elegia em letras, risos e sonhos. Na ínfima distância do punho à extremidade dos dedos, areia, poeira, beira do brincar. Hoje, substância antisséptica, tática, cinética. Uma didática outra. Tato, olfato, paladar: proibido. Dividir, multiplicar, somar: coibido. Erro secreto do acerto? Acerto secreto do erro? Dúvidas deveras. Discursos vazios retumbam. Na autoridade, o eco do silêncio presentifica. Taciturno. No chão, fome de alento, de estratégia, de recurso. Na espreita, imunizante em marcha. Tão perto. Tão longe. Mergulhados na ignorância, desdenham da vida. Artimanha e dubiedade das palavras. Todo um alfabeto inverossímil. Matemática inexata. Mazelas do analfabetismo humano. Velas hasteadas num temporal furioso. Tudo é perigo! Haveremos lograr enfim a ancoragem nalgum porto?
07 de fevereiro de 2021




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