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Quarentena crônica #11

  • Foto do escritor: Edi Pereira
    Edi Pereira
  • 2 de ago. de 2020
  • 1 min de leitura

Fonte: autoral


Sob a previsibilidade do imprevisível, uma lucidez incômoda. Anedota de uma existência porvir. Mãos, chaves, maçanetas, portas, campainhas, álcool. Campanhas de um mundo comum. Superfícies (conta)minadas. No chão, granadas. Calçados lá fora. Fora? Dentro? Fronteiras inteiras em demolição. Lição de um tempo. Matérias indômitas. Cheiro etílico. Rostos em trincheiras. Teatro de operações. Dotadas de traços humanos, frestas são interrompidas. Perigo iminente. Período de espreita. Corpos-mobílias em linhas retas que não se cruzam. Balcão, senha, cédula, sacola, álcool. Limites. Distâncias. Saídas. Toques erodidos. Tudo carregam. Tudo transferem. Dedos em (con)tatos exteriores. Incontrolável desejo de alcançar a si. Inconsolável proibição. Infectados pelo medo, os sentidos escapam. Assepsia exímia. Os dias se repetem. Ferida pelo invisível, a vida tremula. Nunca a aparência foi tão enganosa (ainda que sempre tivesse sido). Presente vencido, aprisionado.


02 de Agosto de 2020

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