Quarentena crônica #6
- Edi Pereira

- 11 de jun. de 2020
- 1 min de leitura

Fonte: autoral
Em dias de azáfamas infinitas, cansaço. Olhos em lume sobre paredes mesmas. Que horas são? O tempo se foi. Telas, fios, fones, ouvidos. Pupilas, lentes, rasos reflexos. Lonjuras impostas. Cegueiras profundas. As vozes remontam-se remotamente. Timbres, volumes, tímpanos ardentes. Inquietas inquirições amiúdes. Limitação singular. Devaneios plurais. Faces planificadas em cenários desconhecidos. Contornos, mobílias, nuanças proibidas. É público o que era privado. Privado o que era público. Que horas são? Relógios ilícitos. Na janela, sol a pino. Ouço o vento, mas ele não vem. Sufoco. Caracteres intermináveis, intercambiáveis por incontáveis outros. Notificações. Rede, linha, sinal. Qual sinal? Não há tempo. Iluminação artificial. Escuridões. Externas? Também! Teclas, dedos, dores. As costas doem. Também os olhos. Olhos em lume sobre pálpebras abandonadas. Faina ininterrupta. Eternas brevidades.
10 de Maio de 2020




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