Quarentena crônica #8
- Edi Pereira

- 27 de jun. de 2020
- 1 min de leitura

Fonte: autoral
Nos espaços abolidos, paletas vivas esquecidas. Ritos de risos pueris, corpos em jogos de encontros, infâncias pares, ímpares, únicas. Melodias, harmonias e ritmos de canções inventadas em prelúdios balbuciados. Anunciados. Entusiasmados. Presenças que faltam. Bulícios. A vozearia cessou. Silêncios inteiros são compostos sobre (in)cômodos brincantes. Rotinas retidas nas retinas da memória. Vestígios caleidoscópicos de um desejo improvisado: inaugurar o mundo, crescer sem urgências. Habitar o tempo do acriançamento em suas infinitas narrativas. Protejo o projeto contra o esquecimento. Estar em sua geografia - latitudes, longitudes, trópicos e meridianos: fagulhas de alegrias delirantes. Esbarrões quase sentidos, abraços quase ofertados, ligeirezas quase flagradas. Ninguém pra esconder, ninguém pra encontrar. Ninguém pra fugir, ninguém pra pegar. Gestos aprisionados em redes wi-fi. Palavras ensimesmadas. A ausência dos incansáveis porquês empobreceu o mundo. A mim. Ao locus loucamente solitário das andanças espantadas. Ânsia de conhecer, de descobrir, de degustar. Locus solitário. Espaços em esperas.
20 de Junho de 2020




Edi, gosto da maneira como desvenda as sutilezas das relações humanas, sobretudo, a sensibilidade e a delicadeza presentes🍀😘
Como sempre, profunda, sensível, verdadeira e real! Sou seu fã!