Quarentena crônica #9
- Edi Pereira

- 4 de jul. de 2020
- 1 min de leitura

Fonte: autoral
À beira de um instante, carícias interrompidas. Afagos cancelados. A puerícia dos gestos, controlada. O transitar é entre corpos intactos, sorrisos vedados, pessoalidades limitadas. Desencontros de mãos, braços, lábios. Abandonos. Linguagem sufocada. Proibida. Saudade do tempo do toque. Será o toque questão de tempo? Distraída do perigo invisível, aproximo. (Con)tato: vestígios de uma vida possível, generosa. Nos olhos demorados num reconhecimento estreito do outro, a lembrança da distância necessária. Latência de afetos afetados, adiados. Rascunho outras formas de ser sem tocar. Gentilezas quase vítreas. A pergunta ecoa: é possível abraçar pelas palavras? O que está contido no enlace de corpos que não pode ser dito? Descuidada de um destino certeiro, sonho com o inviolável direito ao tato. Contudo, me contenho. Augúrios, talvez.
04 de Julho de 2020
Coautoria: Rodrigo Magosso




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